Nossa Senhora do Milagre

VOCÊ  CONHECE A HISTÓRIA DE ‘NOSSA SENHORA DO MILAGRE’?

2017 é, certamente, o “Ano de Maria”. Celebramos os trezentos anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do rio Paraíba; celebramos também o centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima. Mas, além disso, celebramos os 175 anos da aparição de ‘Nossa Senhora do Milagre’ a Alfonso Ratisbone, em Roma. Essa aparição, não muito conhecida no Brasil, marca o início de uma obra profética na igreja: a congregação dos padres e das irmãs de Nossa Senhora de Sion. Segundo Teodoro Ratisbone, irmão de Alfonso e um dos fundadores da obra, “os diversos sentimentos de Cristo continuam vivos na sua Igreja. À congregação de Sion foi confiado pelo Senhor um sentimento muito particular de seu coração: o entranhado amor pelo seu povo de Israel”. De fato, a Igreja tem redescoberto o insubstituível lugar do povo hebreu nos planos de Deus para a humanidade; e muito dessa redescoberta se deve às orações e trabalhos desses valorosos padres e irmãs.

20160911_074255Mas, como tudo começou? Alfonso Ratisbone nasceu em 1814, em Estrasburgo (França), de uma abastada família judaica de banqueiros. Aos 14 anos, como tantos jovens dessa idade, Alfonso não tinha mais prática religiosa e declarava-se ateu, apesar de manter um comportamento exemplar e, esporadicamente, agradecer a Deus por seus benefícios. Seu irmão, Teodoro, dez anos mais velho, não apenas converteu-se ao cristianismo, como foi ordenado sacerdote, o que fez com que Alfonso se tornasse especialmente avesso ao catolicismo.

Tendo completado vinte e cinco anos, tornou-se noivo. Antes de casar-se, desejou empreender uma viagem ao oriente, passando pela Itália. Depois de visitar Nápoles e fazer planos de prosseguir para Malta, acabou por dirigir-se a Roma. Nessa cidade, reviu um antigo amigo, o barão de Busières, cujo irmão (também chamado Teodoro) havia a pouco se convertido ao catolicismo. Por uma série de casualidades, Alfonso acaba por se aproximar de Teodoro e conhecer um pouco de sua ardente fé católica.

Com esse novo amigo, muitas foram as conversas acaloradas sobre religião. Percebendo que o coração de Alfonso achava-se humanamente impermeável a qualquer argumento sobre Cristo ou a Igreja, Teodoro lançou lhe um desafio: se ele não era um obstinado anti-religioso, não se importaria de receber e usar um presente ofertado de bom coração. Foi então que lhe colocou sobre o pescoço um cordão com a Medalha Milagrosa e fez-lhe copiar a oração chamada “Lembrai-vos”. Para não dar razão ao amigo, Alfonso tudo aceitou, incluindo o Novo Testamento que também foi colocado em suas mãos, sem dar maior importância a tudo aquilo.

Segundo seu próprio testemunho, as palavras do “Lembrai-vos” gravaram-se no coração como uma cantiga. No dia 20 de janeiro de 1842, Alfonso encontrou-se casualmente com Teodoro, que o convidou para um passeio juntos. No caminho, era preciso tomar algumas providências para o sepultamento de um amigo, o que fez Teodoro entrar no convento anexo à igreja de S. Andrea delle Fratte, onde Alfonso permaneceu esperando.

De repente, como ele próprio testemunhou depois, Alfonso teve a impressão de que tudo ao seu redor havia desaparecido. Apenas uma única capela do lado esquerdo da igreja, dedicada a São Miguel, parecia grandemente iluminada. Num passo, ele se encontrou diante da capela e contemplou, em meio àquela luz, a Virgem Santíssima, tal como se apresenta na Medalha Milagrosa. Ajoelhando-se em prantos, tentou ainda três vezes levantar os olhos para contemplar o rosto da Virgem, mas não conseguiu olhar acima de suas mãos, de onde se espalhava uma torrente de luz que o impelia a baixar a vista.

Nossa Senhora não lhe disse nenhuma palavra. Apenas fez o gesto que o levou a aproximar-se e ajoelhar. Contudo, Alfonso testemunhou que, como Paulo na estrada de Damasco, prostrou-se ali cego e, ao sair, via claramente, como se uma venda tivesse sido tirada de seus olhos. De repente, todos os mistérios da fé cristã ficaram patentes ao seu coração, de tal maneira que o amor a Maria e a fé em Cristo foram despertados imediatamente dentro dele. “Ela não me disse nada, mas eu compreendi tudo”.

Ao retornar para a igreja, Teodoro de Busières encontrou o amigo em prantos. Não querendo revelar seu segredo senão a um padre, Alfonso foi levado a um sacerdote, a quem contou sua experiência. Dez dias depois, foi batizado e crismado na igreja de Jesus, dos padres jesuítas, recebendo o nome de Alfonso Maria. Retornando para a França, ele próprio se fez jesuíta e foi ordenado sacerdote em 1847.

Com a permissão do papa, os irmãos Alfonso e Teodoro fundaram a congregação dos padres de Sion. Em 1855, Alfonso mudou-se para a Terra Santa, onde abriu orfanatos e comprou as ruínas do palácio de Pilatos, dando início ao santuário do “Ecce Homo” (“Eis o homem!”). Ele permaneceu trinta anos na Palestina, vindo a falecer em 1884.

A capela da aparição foi posteriormente dedicada à Imaculada Conceição. Um belo quadro de Nossa Senhora foi colocado no altar, no lugar onde Alfonso Ratisbone viu a Santíssima Virgem. O povo de Roma, sabendo da origem daquela devoção, começou a invocar Maria naquela capela como “Nossa Senhora do Milagre”. O papa Bento XV chamou a igreja de S. Andrea delle Fratte de “a Lourdes romana”. Nessa capela, no dia 29 de abril de 1918, São Maximiliano Kolbe, então estudante em Roma, celebrou sua primeira Missa.

Celebrando nesse ano mais um jubileu da aparição de Nossa Senhora a Alfonso Ratisbone, peçamos a Maria Santíssima, a mais bela filha de Sião, que vele pelo seu povo de Israel. Que as vendas sejam tiradas de muitos corações, e todos reconheçam que Jesus é o Messias. Que os cristãos sejam capazes de olhar com amor especial os irmãos judeus, reconhecendo seu lugar insubstituível no coração de Deus. Nossa Senhora do Milagre, Nossa Senhora de Sion, rogai por nós!