Aprouve a Deus, na sua bondade e sabedoria, revelar-se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade, segundo o qual a humanidade, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se torna participante da natureza divina”.  – n° 2 da Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina

Como vimos anteriormente, além de o buscarmos, Deus também se revela a nós, e ele o faz desde o início da História da Salvação.

Deus, desde o Antigo Testamento, se revela como o criador do mundo por amor e que permanece fiel ao ser humano, ainda que este o renegue por conta do pecado. Deus deixa-se experimentar na história, desde Noé, com quem faz uma aliança para salvar todos os seres vivos, passando por Abraão, a quem chama para ser “pai de um grande número de nações” (Gn 17,5) e a abençoar “todas as nações da Terra” (Gn 12,3), e a sua descendência, que se tornam Sua especial propriedade, o seu povo escolhido, chegando assim a Moisés, a quem se apresenta nominal mente: “Eu sou Aquele que sou” (Ex 3,14), o chamando para guiar o povo, cativo no Egito, fazendo uma aliança no Sinai com eles, através de Moisés, onde entrega-lhes a Lei.

Assim, ao longo do Antigo Testamento, Deus também vai enviando profetas ao seu povo, chamando-o a conversão e à renovação dessa Aliança firmada anteriormente, além de também, anunciarem uma nova e eterna aliança, que realizará uma radical renovação e uma definitiva redenção, não só do povo escolhido, mas de toda humanidade.

Essas profecias se cumprem em Jesus Cristo, filho de Deus, enviado para nos redimir de nossos pecados. É em Jesus, que Deus mostra toda a profundidade do seu misericordioso amor. E através de sua encarnação, se torna visível o Deus invisível. Deus também é homem em Cristo, é como eu e você, e isto nos mostra até que ponto vai o amor que Deus tem por nós: Ele carrega todo o nosso peso, vive nossa solidão, nossa tristeza e sofrimento, o nosso medo da morte. Assim, Jesus se apresenta onde não podemos avançar abrindo a porta à verdadeira Vida!

A Encarnação do Verbo de Deus, portanto, é o fundamento da fé e da esperança da redenção do homem. O próprio Deus vem ao mundo, sendo assim, Jesus é a última palavra de Deus, e ao ouvi-lo, toda pessoa humana, em todos os tempos, pode saber quem é Deus e o que é necessário para a sua salvação.

É na Boa-Nova, o Evangelho de Jesus Cristo, que está perfeita e completamente disponível a Revelação de Deus. E para que ela nos seja clara, o Espírito Santo nos introduz na Verdade cada vez mais profundamente. Já diz a Carta aos Hebreus, capítulo 1, versículos 1ss: “Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Seu Filho”.

Desse modo, a Luz de Deus penetra na vida de algumas pessoas de modo tão íntimo, que elas veem o “céu aberto”, tal como Santo Estevão (At 7,56). Foi assim que surgiram grandes locais de peregrinação como Guadalupe, Lourdes e Fátima. Porém, sempre reforça a Igreja, as “revelações privadas” não podem aperfeiçoar o Evangelho de Jesus Cristo; podendo, sim, nos ajudar a entender e viver melhor a Boa-Nova , desde que sua verdade seja examinada pela Igreja. A Revelação, portanto, significa justamente que Deus se abre, se mostra e fala ao mundo por livre vontade, se deixando ser conhecido e amado pela humanidade que criou, mostrando seu Amor também, para todos que o buscam.

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