A Maravilhosa História de Marthe Robin


A Serva de Deus Marthe Robin nasceu em 13 de março de 1902, na cidade de Châteauneuf-de-Galaure, França. Filha de camponeses, Marthe passará toda a sua vida na casa paterna, em sua pequena aldeia rural. De saúde frágil desde a infância, Marthe nem pôde completar a escola primária.
Em 1918 começa a apresentar os sinais da tremenda doença que nunca mais a deixará: encefalite. Seguiram-se muitas tentativas de tratamento médico, mas em vão. Ao mesmo tempo em que a doença avançava, Marthe também progredia na vida espiritual. Em 1925, inspirada pelo exemplo de Santa Teresinha, Marthe oferece-se como Vítima ao Amor Misericordioso.


Em 1928, durante uma missão pregada em sua paróquia, Marthe compreende claramente que é na doença e através da doença que ela é chamada a servir a Deus, unindo-se incessantemente ao mistério da Paixão do Senhor, pela salvação das almas.

Em 1929 Marthe fica tetraplégica e passa a sofrer uma paralisia total das vias digestivas, de modo a não poder engolir alimento algum. Os movimentos de deglutição lhe eram simplesmente impossíveis. E assim permanecerá até a sua morte, em 1981, ou seja, por 52 anos.

Cinquenta e dois anos de martírio, pregada à cama, sofrendo silenciosamente, na mais inteira resignação à Santíssima Vontade de Deus; cinquenta e dois anos de Calvário e amor!

Pois foi a essa alma tão simples e humilde que Deus escolheu para elevar a mais perfeita união à Paixão de Jesus: em 1930, numa sexta-feira, Marthe recebe os estigmas e cai num estado de morte aparente, revivendo misticamente em seu próprio corpo e alma todos e cada um dos tormentos padecidos por Jesus da noite da Quinta-Feira Santa até o momento da morte.

Durante 50 anos Marthe viverá sem comer, sem beber e sem dormir, desconcertando todos os médicos que a examinaram… 

Marthe recebia a Comunhão, seu único alimento, apenas uma vez por semana, em seu próprio leito de dor.

Comungava sempre ao anoitecer da quarta-feira, podendo os que a acompanhavam literalmente despedir-se dela antes da Comunhão.

Com efeito, após comungar Marthe caía num êxtase profundo, do qual, nos últimos anos de sua vida, só despertava na segunda-feira seguinte – ou seja, cerca de 5 dias seguidos em êxtase a cada semana! 

Da noite de quinta-feira até a tarde da sexta de cada semana, Marthe revive a Paixão de Jesus, isto é, sente em si mesma tudo o que sofreu Jesus, física e moralmente. Depois das 15 horas da sexta, Marthe caia num estado de morte aparente, não dando praticamente sinal nenhum de vida até o domingo, quando ‘ressuscitava’ junto com Jesus, embora só despertasse totalmente do êxtase na segunda-feira.

Era como se Marthe morresse e ressuscitasse a cada semana. Tanto assim que, quando ela morreu de verdade, várias pessoas duvidaram de que estivesse mesmo morta e temeram sepultá-la viva…

Como dissemos, Marthe, devido à doença, não tinha os movimentos deglutitórios, não sendo capaz de engolir nem o menor alimento. Como comungava então? Maravilha da bondade onipotente de Deus: o sacerdote, qualquer que fosse, apenas precisava aproximar a Santa Hóstia dos lábios de Marthe e… a Hóstia entrava como que por si mesma na boca dela, sem Marthe ter de fazer qualquer movimento. O sacerdote chegava a sentir a Hóstia ‘escapando’ por si mesma de seus dedos, para desaparecer em seguida entre os lábios imóveis da privilegiada criatura que então também desaparecia do comércio dos vivos, abismando-se na mais profunda contemplação por dias inteiros.

Pelo tempo da Segunda Guerra Mundial, sendo urgente uma reparação ainda mais forte, Marthe também ficou cega, e pelo resto da vida…

Jesus disse à Marthe, num de seus êxtases, como ela confiou ao seu diretor espiritual, o Padre Finet, que, depois da Virgem Maria, ninguém jamais participou nem participará tanto de Sua Dolorosa Paixão, quanto ela, Marthe Robin. Misterioso desígnio de Deus, que reservou o sacrifício da maior de todas as Vítimas, depois de Jesus e Maria, precisamente para o nosso século de impiedades jamais vistas…

Compreende-se, pois, a fúria violenta de Satanás contra este vaso de eleição: Marthe era violentamente espancada por uma mão invisível, e isso diante de presentes, ao ponto de o seu diretor, o Padre Finet, convidar padres que não acreditavam no demônio a fazerem uma visita a Marthe ao cair da noite e verem com seus próprios olhos as impressionantes cenas de terror que lá se desenrolavam…

E o mais singular destas violências satânicas padecidas por Marthe foi que Deus permitiu ao demônio ir realmente até o fim em sua crueldade: Marthe Robin morreu assassinada pelo próprio demônio, na tarde de sexta-feira de 6 de fevereiro de 1981…

Antes de entrar neste seu último e definitivo êxtase, Marthe avisou o seu confessor que “desta vez Deus permitirá que o demônio vá até o fim”. Com efeito, ao entardecer da sexta-feira, quando o Padre Finet entrou no quartinho de Marthe, encontrou-a jogada no chão, já sem vida…


(Marthe no dia de sua partida para o Céu)

E como seria possível que esta mulher que não comia nem bebia pudesse perder sangue abundantemente cada vez que os estigmas se renovavam?
Como poderia uma criatura humana agüentar décadas sem dormir, sem beber água?
Marthe foi examinada por vários médicos e todos confirmaram não haver explicação científica alguma para o que se passava com ela.
Detalhe importantíssimo: todo esse oceano de méritos adquiridos por Marthe em sua vida de imolação, foram entregues, por determinação de Deus mesmo, nas mãos da Virgem Maria, segundo o método de São Luis Maria de Montfort.
Marthe não conhecia o “Tratado da Verdadeira Devoção à Ssma. Virgem”, nem havia em sua aldeia um exemplar sequer deste. Um belo dia, porém, logo nos primeiros tempos da vida mística de Marthe, seus familiares entraram em seu quarto e viram um livro desconhecido ali, à cabeceira da doente. Era precisamente o Tratado da Verdadeira Devoção. Marthe contou então que Nossa Senhora mesma lhe aparecera com aquele livro nas mãos e o deixara ali, para ela…

Jesus e Maria pediram a Marthe que dissesse ao seu diretor espiritual para dar início a uma obra de casas de retiro de silêncio, que se espalharia pelo mundo, fazendo um imenso bem às almas. Era a obra que viria a chamar-se: “Foyer de Charité” (“Lar de Caridade”).

Já na década de 1930 começavam os Foyers, com toda a aprovação da Igreja. Hoje são mais de 80 Foyers pelo mundo, em mais de 40 países.

Cada Foyer é uma casa de retiros, na verdade uma comunidade dedicada aos retiros: no Foyer vivem permanentemente sacerdotes e leigos, numa vida de oração, trabalho e silêncio (quase monástica de fato), e uma vez por mês, pelo menos, recebem uma turma de retirantes para retiros de silêncio de 5 dias no mínimo.

Logo no começo dos Foyers alguém propôs se os retiros para o público não poderiam ser de dois ou três dias, como em outras obras. Nossa Senhora, porém, mandou dizer, através de Marthe, que cinco dias era o número mínimo marcado por Deus para um retiro no Foyer ter frutos.

E assim se faz: os retirantes costumam chegar no entardecer de uma segunda-feira e ficar até a manhã do próximo domingo. E em silêncio perfeito: não se trocam nem saudações desde o jantar da segunda-feira até o jantar do sábado. Inviolavelmente. 


(Vista de um dos Foyers na França)

Fonte: http://silvianeperegrina.blogspot.com/2011/09/milagre-eucaristico-maravilhosa.html

Santo Agostinho

Seu nome era Aurélio Agostinho. Nasceu em Tagaste, uma cidade do Norte da África dominada pelos romanos, na região onde hoje fica a Argélia, em 13 de novembro do ano 354. Filho primogênito, seu pai, chamado Patrício, era pagão e pequeno proprietário de terras. Sua mãe, pelo contrário, era cristã fervorosa, tanto que tornou-se santa, Santa Mônica, celebrada no dia 27 de agosto, um dia antes da festa de Santo Agostinho. Mônica sempre buscou educar o filho na fé cristã. Agostinho, porém, por causa do exemplo do pai, não se importava com a fé.

Santa Mônica queria que seu filho se tornasse cristão, mas percebia que a hora de Deus ainda não tinha chegado. Tanto que adiou seu batismo, com receio de que ele profanasse o Sacramento. Aos onze anos, Agostinho foi enviado para estudar em Madauro, perto de Tagaste. Lá, estudou literatura latina e algo que o distanciaria da fé cristã: as práticas e crenças do paganismo local e romano.

Com dezessete anos, foi para Cartago estudar retórica. Lá, embora tenha recebido formação cristã de sua mãe, passou a seguir a doutrina maniqueísta (que enxerga o mundo apenas como bem e mau), negada veementemente pelos cristãos. Além disso, tornou-se hedonista, ou seja, seguidor da filosofia que tem o prazer como fim absoluto da vida. Dois anos depois, passou a viver com uma mulher cartaginense, com a qual teve um filho chamado Adeodato. O relacionamento dos dois durou treze anos. Durante todo esse tempo, Santa Mônica rezava pela conversão do filho.

Agostinho tornou-se um professor de retórica reconhecido. Chegou a abrir uma escola em Roma e conseguiu o posto de professor na corte imperial situada em Milão. Decepcionado com as incoerências do maniqueísmo, aproximou-se do ceticismo. Sua mãe mudou-se para Milão e exerceu certa influência sobre seu comportamento. Nesse tempo, também decepcionado com o ceticismo, Agostinho aproximou-se do bispo Ambrósio (Santo Ambrósio de Milão). A princípio, queria apenas ouvir a retórica excelente do bispo. Antes de se converter, Agostinho separou-se de sua companheira após treze anos de relacionamento e ainda envolveu-se com outras mulheres. Depois, porém, foi se convencendo da verdade sobre Jesus Cristo pelas pregações de Santo Ambrósio. Sua mãe, ao mesmo tempo, não cessava de orar por ele.

Depois das buscas incessantes pela verdade e de vários casos amorosos, Agostinho finalmente rendeu-se à coerência da mensagem de Jesus Cristo. Encontrou em Jesus o que não encontrara em nenhuma outra filosofia, em nenhum outro mestre. Assim, ele e seu filho Adeodato, então com 15 anos, foram batizados em Milão por Santo Ambrósio, durante uma vigília Pascal. A partir de então, passou a escrever contra o maniqueísmo, que ele conhecia tão bem. Mas depois disso, escreveu obras tão importantes que o tornaram Doutor da Igreja.

Agostinho dedicava grande atenção a Adeodato formando-o na fé e nas ciências humanas. De repente, porém, seu filho veio a falecer. Foi um grande choque. Por causa disso, decidiu voltar para Tagaste. No caminho de volta, aconteceu que sua mãe também faleceu. Agostinho menciona em suas “Confissões” a maravilha e o alimento espiritual que eram os diálogos que ele tinha com sua mãe, Santa Mônica, sobre a pessoa de Jesus Cristo e a beleza da fé cristã. Esses diálogos foram decisivos para sua formação. E agora, com a morte da mãe, muita falta ele sentiu dessas conversas restauradoras.

Depois de sepultar sua mãe continuou decidido sua volta para a terra natal. Ele chegou a Tagaste no ano 288. Lá, optou pela vida religiosa. Junto com alguns amigos de fé, deu início a uma comunidade monástica cujas regras foram escritas por ele mesmo. Deste embrião nasceram várias ordens e congregações religiosas masculinas e femininas, todas seguindo as regras e a inspiração “Agostiniana”.

O bispo de Hipona, percebendo a forte inspiração que Deus colocara na alma de Agostinho, convidou-o para ir junto nas missões e pregações. O bispo, já idoso e enfraquecido, vendo confirmada a sabedoria de Agostinho, ordenou-o como sacerdote, o que foi aceito com grande alegria pelos fiéis. E, depois, em 397, logo após a morte do bispo, o povo, em uma só voz, aclamou Santo Agostinho como bispo de Hipona. Ele ocupou o cargo durante 34 anos, derramando toda sua sabedoria nas pregações, nos livros, na caridade para com os pobres, na espiritualidade profunda. Combateu heresias, tornou-se uma dos mais importantes teólogos e filósofos da Igreja, influenciando pensadores até o presente. Foi aclamado Doutor da Igreja e um dos “Padres da Igreja” por causa de seu ministério iluminador. Entre os livros de maior destaque em suas obras, estão “Confissões” e “Cidade de Deus”, livros autobiográficos que se tornaram best-sellers ao longo de vários séculos e até hoje.

Santo Agostinho faleceu feliz pela força da Igreja de Hipona, mas, ao mesmo tempo, triste, por causa da invasão bárbara em Hipona, motivo de grandes perseguições contra os fiéis. Sua morte ocorreu em 28 de agosto do ano 430. Mais tarde, em 725, seus restos mortais foram exumados e trasladados para a cidade de Pávia, na Itália, onde são venerados na igreja de São Pedro do Céu de Ouro. A igreja fica perto do local onde ocorreu sua conversão.

Oração a Santo Agostinho

“Gloriosíssimo Pai Santo Agostinho, que por divina providência fostes chamado das trevas da gentilidade e dos caminhos do erro e da culpa a admirável luz do Evangelho e aos retíssimos caminhos da graça e da justificação para ser ante os homens vaso de predileção divina e brilhar em dias calamitosos para a Igreja, como estrela da manhã entre as trevas da noite: alcançai-nos do Deus de toda consolação e misericórdia o sermos chamados e predestinados, como Vós o fostes, a vida da graça e a graça da eterna vida, onde juntamente convosco cantemos as misericórdias do Senhor e gozemos a sorte dos eleitos pelos séculos dos séculos. Amém.”

Fonte: https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-santo-agostinho/116/102/#c

Santa Mônica – Mãe de Santo Agostinho, Padroeira dos pais.

Mônica nasceu no ano de 332, na cidade de Tegaste, na Argélia, que fica no norte da África. Filha de família abastada, foi criada por uma escrava que criava os filhos dos senhores. Os manuscritos que recolheram a tradição oral sobre Santa Mônica dizem que desde criança ela era muito religiosa e disciplinada. Sempre que podia, Mônica ajudava os mais pobres e demonstrava muita paciência e mansidão.

Mônica casou-se com um nobre chamado Patrício. Ele era um decurião, (membro do conselho de Tegaste). Possuía terras, escravos e uma boa posição social. Patrício, porém, era homem rude e violento. Por isso, foi motivo de muito sofrimento e orações de Santa Mônica.

Mônica teve 3 filhos: Agostinho, Navigio e Perpétua, que se tornou religiosa. Agostinho era o mais velho e lhe causou muitas tristezas. A dificuldade com Agostinho chegou a tal ponto que, para ensiná-lo que nossas ações neste mundo têm consequências, Mônica o proibiu de entrar em casa. Mas ela nunca deixou de rezar pela conversão do filho. Rezava também pela conversão do marido e de Navigio, sempre com muita perseverança e paciência, nunca desistiu de sua fé cristã.

Santa Mônica rezou anos a fio pela conversão de seu marido e seus 2 filhos. Sua perseverança foi compensada com a felicidade de ver todos convertidos para Deus. Sua perseverança foi tão marcante que ela rezou durante trinta anos pela conversão de Agostinho sem desanimar. E suas orações foram ouvidas: seu filho mais velho tornou-se o famoso “Santo Agostinho”, o santo que influenciou todo o Ocidente cristão e influencia até hoje. Quando escreveu sobre sua mãe, entre outras coisas, ele disse: “ela foi o meu alicerce espiritual, que me conduziu em direção da fé verdadeira. Minha mãe foi a intermediária entre mim e Deus.”

Santa Mônica deixou para todas as mães o ensinamento de que além de educar os filhos para viverem em sociedade, é preciso também educa-los para Deus, desenvolvendo neles a vida espiritual. Santa Mônica ensina que mães e pais devem se preocupar com a salvação e santificação de seus filhos.

Santa Mônica faleceu no ano 387, aos 56 anos. Santo Agostinho no seu famoso livro autobiográfico intitulado “Confissões” fez um monumento indelével à memória de Santa Mônica. O corpo de Santa Mônica foi descoberto em 1430. O Papa Martinho V transportou-o para Roma e depositou-o na igreja de Santo Agostinho.

Santa Mônica foi canonizada pelo Papa Alexandre lll, por ter sido a responsável pela conversão de Santo Agostinho, ensinado a fé cristã, a moral e a mansidão. Foi declarada Padroeira das Associações das Mães Cristãs. Sua festa é comemorada no dia 27 de agosto.

Oração

Nobilíssima Santa Mônica, rogai por todas as mães, principalmente por aquelas mães que se esquecem que ser mãe é sacrificar-se.

Rogai, virtuosa Santa Mônica, para que abram-se as almas de todas as mães, para que elas enxerguem a beleza da vocação materna, a beleza do sacrifício materno.

Rogai, Santa Mônica, para que todas as mães saibam abraçar com Fé o sofrimento e a dor, assumam seus filhos com coragem, como instrumento de santificação para as famílias, e para sua própria santificação. Amém. 

Fonte https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-santa-monica/101/102/#c

Essas bombas me levaram a Cristo

A imagem em que Kim Phuc Phan aparece correndo despida tornou-se icônica.

A “menina do napalm”, premiada por sua vida dedicada à paz: “Essas bombas me levaram a Cristo”


Kim Phuc Phan, conhecida como “a menina do napalm” hoje é uma reconhecida ativista pela paz e em defesa da infância.

 J. Lozano / ReL
12 de fevereiro de 2019

A imagem de uma menina de 9 anos, que corre despida, chorando, queimada pelo napalm, deu a volta ao mundo em 1972, em plena guerra do Vietnã, convertendo-se, com o passar dos anos, em uma das imagens mais icônicas e representativas da guerra.

Aquela que ficou conhecida como “a menina do napalm” chama-se Kim Phuc Phan e atualmente é uma ativista pela paz, que ajuda a construir escolas, dispensários e orfanatos, cujo trabalho acaba de ser reconhecido esta semana com o Prêmio Dresden da Paz.

 

Uma vida dedicada à paz

Quase meio século depois, as feridas causadas por aquela bomba continuam bem visíveis no corpo de Kim Phuc. De fato, as lesões ainda precisam ser tratadas, e não se consegue escapar daquela fotografia, supondo-se que ela sempre será aquela menina. “Quando estou sozinha, tento evitar essa imagem. Mas ela me permite trabalhar pela paz, e assim me conformo”, afirmou Kim Phuc à agência alemã DPA depois que o prêmio foi anunciado.

Aquelas bombas marcariam a vida de Kim Phuc para sempre. Provocaram grande dor e sofrimento, mas ela confessa que também acabaram por levá-la a Cristo. “Sempre carregarei as cicatrizes daquele dia, e essa imagem servirá como recordação do mal indescritível que a humanidade é capaz de provocar. Aquela imagem marcou a minha vida. Mas, por fim, me proporcionou uma missão, uma causa. Hoje, dou graças a Deus por essa foto. Hoje, dou graças a Deus por tudo, inclusive por esse caminho. Especialmente por esse caminho”, conta a vietnamita em Christianity Today.

Kim Phuc explicou que “olhando para trás, para as últimas cinco décadas, me dou conta de que essas mesmas bombas que causaram tanto sofrimento também trouxeram uma grande cura. Essas bombas me levaram a Cristo”.

No entanto, ela nem sempre viveu essa história assim. Foi uma conversão já na fase adulta, em que, graças a alguns Evangelhos meio escondidos em uma biblioteca da já comunista Saigon, viu como Cristo também havia sofrido pela humanidade e por fazer o bem, convertendo-se, assim, na grande referência da vida de Kim Phuc.

Convertida em um símbolo comunista

Naquele bombardeio, ela perdeu toda a sua família, e durante anos as feridas lhe causaram uma dor terrível. E quando, em 1982, ela sonhava em estudar medicina, o regime comunista do Vietnã descobriu que ela era aquela menina da foto. Queriam convertê-la em um símbolo do governo.

“Infelizmente, os agentes do governo descobriram que eu era a menininha da foto e vieram me buscar para me fazer trabalhar com eles e me usar como símbolo. Eu não queria e lhes supliquei: ‘Deixem-me estudar! É só o que desejo’. Então imediatamente me proibiram de continuar estudando. (…) Eu tinha a impressão de ter sido sempre uma vítima. Aos 19 anos, eu havia perdido toda a esperança e só desejava morrer”. Por fim, depois de muitos apelos, em 1986 o governo permitiu que Kim se transferisse para Cuba para estudar medicina. Lá ela conheceu Bui Huy Toan, outro estudante vietnamita. Eles se casaram em 1992 e passaram a lua de mel em Moscou. No voo de regresso à ilha caribenha, o casal fugiu quando seu avião aterrissou em Gander (Terra Nova) para reabastecer.

Mas enquanto tudo isso se passava, Kim vivenciou a conversão que mudou radicalmente sua vida e lhe permitiu perdoar aqueles que bombardearam sua aldeia. Kim Phuc foi criada no Cao Dai, ou Caodaísmo, uma religião sincrética que surgiu no Vietnã no início do século XX. Depois daquele bombardeio, ela rezou durante anos àqueles deuses, mas nunca sentiu que era ouvida nem encontrou a paz que buscava.

O encontro com um Novo Testamento

Em seu coração havia apenas ira, amargura e ressentimento pelo sofrimento e dor terríveis por que passava a cada dia. Mas então, em 1982, em um canto da biblioteca central de Saigon, viu os livros de religião. Havia obras sobre o budismo, o hinduísmo, o islamismo e o caodaísmo. Mas também havia uma cópia do Novo Testamento. Ela começou a examiná-lo e então não conseguiu parar de ler.


Kim recebendo o prêmio pela paz na cidade de Dresden, completamente destruída durante a II Guerra Mundial.

“Uma hora depois, eu encontrara o caminho através dos Evangelhos, e ao menos dois temas haviam se tornado muito claros para mim“, afirmou Kim Phuc Phan.

O primeiro ponto era a diferença que havia entre Jesus e a fé em que a haviam educado desde criança, quando lhe disseram que havia muitos deuses e inúmeros caminhos até a santidade, e que tudo dependia do esforço de cada um. Contudo, Jesus se apresentava como “o caminho, a verdade e a vida”. “Parecia” – explicou Kim – “que todo o Seu ministério marcava uma espécie de afirmação direta: ‘sou a maneira pela qual você chega a Deus; não há outro caminho senão eu'”.

Em segundo lugar, chamou a atenção de Kim, de modo poderoso, tudo o que Jesus havia sofrido. Zombaram dele, torturaram-no e depois o assassinaram. “Por que Ele suportaria essas coisas, eu me perguntava, se de fato era Deus?”

O dia em que decidiu que queria ser cristã

Esse Jesus a cativou. “Quanto mais eu lia, mais acreditava que Ele realmente era quem dizia ser, que havia feito o que dizia ter feito e que, o mais importante para mim, realmente faria tudo o que havia prometido”, assegurou a ativista vietnamita.

Assim, ela compreendeu que era o cristianismo que poderia ajudá-la a entender sua dor e também a aceitar suas cicatrizes. Essa compreensão se materializou no Natal de 1982, quando foi a uma pequena igreja de Saigon. Ouvindo o pastor, deu-se conta de que algo em seu interior estava mudando.


Quase cinquenta anos depois, as marcas do napalm continuam muito presentes em Kim.

Eu necessitava desesperadamente de paz, amor e alegria. Eu tinha muito ódio no coração, muita amargura. Queria deixar de lado toda a minha dor e continuar com a vida, em vez de agarrar-me às fantasias de morte. Eu queria esse Jesus”, recordou-se Kim.

A graça de poder amar seu inimigo

Naquele Natal, Jesus verdadeiramente nasceu em seu coração e ela encontrou a paz que por tanto tempo vinha buscando. “Quase meio século se passou desde que me vi correndo, assustada, despida e com dor por aquele caminho no Vietnã. Nunca esquecerei os horrores daquele dia: as bombas, o fogo, os gritos, o medo. Tampouco esquecerei os anos de prova e tormento que se seguiram. Porém, quando penso como cheguei longe, na liberdade e na paz que vêm da fé em Jesus, me dou conta de que não há nada maior nem mais poderoso do que o amor de nosso Salvador abençoado”, confessou.

Esse entendimento a fez perdoar e até mesmo abraçar os pilotos americanos que lançaram as bombas que a feriram e mataram sua família. Essa fé lhe permitiu rezar por seus inimigos e não maldizê-los, para poder amá-los de verdade. Por isso ela afirma que hoje pode dar graças a Deus por aquela foto.

Tradução: Lúcia Cunha

Publicado em Religion em Libertad:

https://www.religionenlibertad.com/personajes/707884812/La-Anina-del-NapalmA-premiada-por-su-vida-entregada-a-la-paz-AEsas-bombas-me-llevaron-a-Cristo

A impressionante fé de Manoel

Até seu falecimento, ele se empenhou em ajudar os outros.
A impressionante fé de Manuel, o menino que oferecia suas dores na Eucaristia para salvar almas
Manuel ofereceu suas dores atrozes pelos pecadores e pela salvação das almas, em uma idade incrivelmente tenra.
31 de dezembro de 2018

A santidade das crianças impressiona. São almas como Deus queria que todas fossem: inocentes, puras, entregues a Ele com a confiança de quem se confia a um Pai. Assim foi Manuel Foderà, cuja história é contada por Costanza Signorelli em La Nuova Bussola Quotidiana:


Mesmo que em sua jovem vida não tivesse falado face a face com Jesus, a história de Manuel continuaria sendo, sem dúvida, um prodígio maravilhoso. Era um menino que, com apenas quatro anos de idade, enfrentou a enfermidade como se fosse uma inesgotável história de amor com seu Jesus. Uma criança que ofereceu sua dor inocente até o fim para “converter o maior número de almas possível”. Um menino que subiu ao Pai com nove anos como se fosse uma festa, tão certo do Paraíso que não via a fronteira entre Céu e terra. Entrar na história desse mistério bastaria para abrandar os corações mais endurecidos, “esses que – disse Manuel – não conhecem Teu amor”. Esse menino de Calatafimi, um povoado de seis mil habitantes, situado nas colinas sicilianas da região de Segesta (província de Trapani, na Itália), realmente conversava com seu Jesus.

Uma Via Crucis de cinco anos

Certamente seria útil falar também dos mais de trinta ciclos de quimioterapia, do transplante, das cirurgias e das transfusões de sangue, das metástases disseminadas por todo o corpo, das dores insuportáveis que esse pequeno corpo sofreu. Porém, nenhum dos relatos mais detalhados bastaria para compreender a Via Crucis que Manuel percorreu em cinco anos, desde aquela manhã em 2005, em que o menino despertou com uma forte dor na perna direita e uma febre incômoda que lhe tirou o apetite. O diagnóstico veio alguns dias depois, no Hospital Pediátrico de Palermo, para onde Manuel havia sido levado com urgência, devido a uma brusca deterioração de seu estado de saúde. Os laudos médicos falavam de “uma infiltração maciça de um neuroblastoma de estágio IV, que havia invadido as cristas ilíacas da pelve”. Em uma palavra: um tumor. Manuel tinha apenas quatro anos de idade.


Manuel, el pequeño guerrero de la Luz: (Manuel, o pequeno guerreiro da luz) assim se intitulou a obra escrita sobre o menino por sua mãe, Enza, e pelo sacerdote salesiano Valerio Bocci.

Contudo, lendo as páginas do diário que a mãe de Manuel, Enza, preparou com as cartas do filho e com seu próprio testemunho, não se pode fazer outra coisa a não ser render-se ao que era, para o menino, uma “simples” evidência: a batalha de Manuel foi alegre e gloriosa. Nessa batalha contra o mal, travada com uma fortaleza que é de outro mundo, nessa batalha em que caiu e na qual morreu, Manuel verdadeiramente venceu entre os poderosos braços de Deus Pai.

É realmente difícil selecionar as passagens da existência de Manuel, pois sua vida é um campo infinito de espiritualidade encarnada, na qual se podem colher os frutos mais belos. Uma espiritualidade realmente profunda, apesar da tenra idade do menino. Como conta Irmã Prisca, que servia no Hospital de Palermo, onde Manuel foi submetido de imediato à cirurgia para extirpar o tumor e aos primeiros ciclos de quimioterapia: “Ele era muito pequeno, porém, antes de receber o tratamento, sempre vinha à capela e, ao me ver, dizia: ‘Irmã Prisca, me leve à sacristia, porque quero ver Jesus na cruz!’. Com delicadeza, eu o tomava nos braços e aproximava sua cabecinha do tabernáculo. Ele era muito feliz, porque queria ser o amigo mais querido de Jesus. Depois rezávamos juntos o Santo Rosário e, emocionada, eu ouvia como ele repetia as ladainhas de cor”.

O relato que faz essa religiosa franciscana do Evangelho, que narra as primeiras etapas de Manuel no caminho da Cruz, é revelador do que sucederia ao menino a seguir: através da oração assídua do Santo Rosário, a Mãe do Céu o levaria pela mão até Seu Filho. Receber Jesus Eucarístico se converteria no único e verdadeiro centro da existência de Manuel, até chegar, nos últimos momentos de sua vida terrena, a nutrir-se apenas com o corpo de Cristo.

Uma Primeira Comunhão que a Virgem Maria tornou possível

Com efeito, a Mãe do Céu entrou, desde os primeiros dias e de maneira insistente, nos relatos do menino. Antes de tudo porque – como disse Manuel – as Ave-Marias faziam com que “fique melhor”. Pedia com frequência para recitá-las nos momentos de dor, porque “fazem a dor passar”, ou nos momentos de medo, porque “me dão a força e a paz”. Porém, à medida que o tempo passava, os relatos dessa Mãe especial tomavam mais corpo, tornavam-se mais vívidos, quase palpáveis.

Como naquela tarde de setembro. Manuel estava fisicamente exausto pelos tratamentos intermináveis e, transido de dor porque não podia estar com os amigos no início do ano letivo, pediu à Virgem Maria um consolo especial. Uma explosão de fogos de artifício acendeu-se em plena noite, diante dos olhos incrédulos da mãe do menino, que, da janela do hospital, olhava para o céu maravilhada. Algumas horas antes sentira uma terna compaixão do filho que, seguro do que dizia, anunciava: “Esta noite haverá fogos de artifício. A Virgem Maria me concederá esse favor. Eu preciso!” Foram incontáveis as vezes em que Manuel, recorrendo à santa proteção da Virgem Maria, via como se cumpriam suas expectativas. Igualmente incalculável era o amor que Manuel sentia pela Rainha do Céu.

No dia 13 de outubro de 2007 seria precisamente Ela que ajudaria o pequeno a conhecer seu grande Amigo Jesus. Era o dia da Primeira Comunhão. Manuel tinha apenas seis anos, mas dadas as condições alarmantes de seu estado de saúde e seu desejo inestimável de receber o Corpo de Cristo, o menino obteve do bispo a permissão para antecipar o Sacramento da Eucaristia, que recebeu das mãos do capelão, padre Mario, na pequena capela do hospital. No entanto, esse dia tão esperado não parecia bom. Quando despertou, o pequeno sentia dores terríveis em uma perna, que não lhe permitiam levantar-se da cama, e por isso temia que não pudesse ir à capela. Perto do meio-dia e contra todas as previsões, a dor desapareceu. Manuel explicou assim: “A Virgem me disse: ‘Manuel não pode receber Jesus mancando.’ Por isso fez uma mágica e me curou. Obrigado, Virgem do meu coração!”.

Precisamente com a Eucaristia começaram as conversas frequentes com Jesus. Cada vez que o menino recebia o Corpo de Cristo, caía em profunda contemplação. Se estivesse na igreja, deitava-se no tapete que ficava aos pés do altar; se fosse forçado a ficar de cama devido ao tratamento ou às dores, cobria-se com o lençol, inclusive o rosto. Quando se descobria, o garoto relatava, com máxima discrição, à mãe e aos pais espirituais – o padre Ignazio Vazzana e o irmão carmelita Giuseppe – suas conversas com Jesus, que nos últimos tempos eram cada vez mais assíduas e chegavam a níveis impressionantes, difíceis de decifrar e até mesmo de acreditar, em uma criança tão pequena. No entanto, haviam ocorrido.


Manuel chegou a rezar deitado na igreja, devido à debilidade extrema de seu corpo.

Outro fato ocorreu depois da comunhão, em uma manhã de agosto. Manuel acabara de receber a Hóstia consagrada das mãos de Piero, o ministro da Eucaristia. Depois do agradecimento, o menino disse à mãe: “Jesus, na Comunhão, me disse uma frase linda: ‘Seu coração não é seu, mas é meu e eu vivo em você’.” Depois acrescentou: “Não entendi muito bem essas palavras. Você pode me explicar?”. A mãe não sabia o que responder. Mil perguntas brotavam em sua mente. O que estava se passando com seu filho? Naquele instante só conseguia recitar a reveladora frase de São Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim.” (Gal 2, 20)

Cinco minutos de silêncio

A necessidade de estar com Jesus se fazia tão grande que impulsionava Manuel a suplicar ao bispo de Trapani: “Bispo, desejo tanto ter Jesus Eucarístico em minha casa! Assim poderei adorá-Lo sempre que quiser! Não se preocupe, há um lugar onde colocar o tabernáculo!”. Apesar de sua insistência, seu pedido não foi acolhido. Mas Manuel encontrou consolo na “imensa felicidade de poder servir à missa” na capela da Cúria, vestido com a túnica da Primeira Comunhão. Mais tarde, a súplica ao bispo se transformou em um triste pedido: “Bispo, por favor, pode dizer a seus sacerdotes que cultivem em todos o costume de fazer ao menos cinco minutos de silêncio para poder falar e escutar Jesus no próprio coração? Pense na última pessoa que recebe a Comunhão. Não tem tempo nem mesmo para dizer ‘olá’ a Jesus!”. O motivo é explicado em outra carta que o menino sentiu a urgência de escrever a todos, amigos ou não, com a sabedoria de um teólogo e a autoridade de um homem de Deus: “Jesus está presente na Eucaristia, se faz ver e sentir na Santa Comunhão. Não acreditam nisso? Tentem concentrar-se, sem se distrair. Fechem os olhos, rezem e falem, porque Jesus os ouvirá e falará ao seu coração. Não abram os olhos imediatamente, porque essa comunicação será interrompida e não voltará a acontecer! Aprendam a ficar em silêncio e algo maravilhoso acontecerá! Uma explosão de graças!”

Cardeais, bispos, sacerdotes, consagrados ou simples laicos, todos os que eram apaixonados por Jesus e ouviam falar de Manuel desejavam conhecê-lo e passar algum tempo com ele. A casa da família e o hospital converteram-se em um ir e vir de amigos, e conventos inteiros elevavam ao Céu súplicas e louvores por esse pequeno gigante da fé. Sem dúvida, um dos aspectos que mais assombrava e convertia quem o rodeava era o modo como Manuel vivia o sofrimento. Era uma flor nascida aos pés da Cruz para adorar e abraçar Jesus.

Pela salvação das almas

Uma Cruz na qual Manuel via com relativa clareza sua missão: “Mãe, é verdade que existem pessoas que não amam Jesus? Devemos levar até Ele o maior número de almas possível”. Amor, sacrifício e doação de si eram realidades inseparáveis para Manuel, como um dia explicaria candidamente à mãe: “Para amar a Jesus, você precisa rezar muito, trabalhar bem, estudar e fazer sacrifícios para oferecê-los a Ele”. Sacrifícios? A mãe pediu que ele explicasse. “Por exemplo – respondeu o menino – você não gosta de comer macarrão com abobrinha, mas come assim mesmo e os oferece por amor a Jesus”.

Assim conta don Ignazio, que foi seu diretor espiritual desde que tinha sete anos até o final: “Manuel me dizia sempre que Jesus havia lhe dado o sofrimento e que tinha necessidade deste, porque juntos deviam salvar o mundo (uma vez que Jesus o havia proclamado Guerreiro da Luz). Manuel sempre lutou como um verdadeiro guerreiro, à imitação de Cristo, até entregar sua vida pela salvação e a conversão de todos. Ainda recordo vivamente a grande capacidade que tinha de suportar a dor, só por amor a Jesus. A mãe me chamou em diversas ocasiões para tentar convencer Manuel a tomar, pelo menos, o paracetamol e, assim, aliviar as grandes dores que sentia. Ele me respondia que queria esperar um pouco mais antes de tomar o medicamento, porque Jesus necessitava de seu sofrimento naquele dia para salvar as almas. Perto do fim, quando, depois da gamagrafia, os médicos se deram conta de que tinha duas massas tumorais na cabeça, Manuel nos revelou que Jesus lhe havia dado um grande presente. Naqueles dias, Manuel tinha dores de cabeça muito fortes e realmente não sabia o que tinha. Um dia, depois de receber a Comunhão, começou a chorar e confiou à mãe, e depois a mim, o que Jesus lhe havia dito. Nós havíamos perguntado a ele o que ele tinha, porque estava chorando, e ele nos disse que Jesus lhe dera um presente especial, e chorava porque estava feliz. Jesus lhe havia dado dois espinhos de sua coroa e agora eles estavam em sua cabeça. Eu fiquei atônito diante de suas palavras, porque humanamente isso é inexplicável. Houve uma coincidência perfeita nos fatos: duas massas tumorais e os dois espinhos da coroa de Jesus, como dádiva, em sua cabeça.”

No entanto, apesar das grandes dores e sofrimentos, seus amigos quase nunca o ouviam se queixar. A todos dizia e repetia que estava bem; e mesmo nas piores condições, sempre encontrava um motivo para dar graças. O menino emanava alegria, esperança, louvor e amor pela vida. Combateu com um sorriso. E, no entanto, estava na Cruz.

Vieram os últimos dias, a agonia. Os níveis de hemoglobina baixaram a mínimos históricos. Os médicos suspenderam as transfusões. Era o sinal da rendição total. Apesar de tudo, perante o assombro dos médicos, o coração do guerreiro continuou batendo quatro dias mais. A mãe logo entendeu: “Manuel, você fez outro pacto com Jesus, não é?”. O menino concordou com um gesto. Era evidente que estava oferecendo suas últimas gotas de vida por alguém cujo nome nunca se saberia. Manuel dera à mãe todas as instruções. Nesse dia vestiria a túnica da Primeira Comunhão e, em vez do travesseiro, sua cabeça repousaria sobre a Bíblia, na passagem de Jeremias (17, 14), em que está escrito: “Curai-me, Senhor, e ficarei curado; salvai-me, e serei salvo, porque sois a minha glória.” Ele também disse à mãe que ela não deveria chorar, que ninguém deveria chorar, mas que todos deveriam recolher-se em oração, para que seu funeral pudesse refletir a grande festa que iria viver no Céu. Esse Céu que na terra está mais aberto do que se possa imaginar. No dia 20 de julho de 2010, Manuel subiu ao Pai.

Tradução: Lúcia Cunha

Publicado em Religión en Libertad em 8 de novembro de 2017

https://www.religionenlibertad.com/personajes/605448302/La-impresionante-fe-de-Manuel-el-nino-que-ofrecia-sus-dolores-en-la-Eucaristia-para-salvar-almas.html

São Pio de Pietrelcina

“Padre Pio é um daqueles homens extraordinários que Deus envia de vez em quando à terra para converter os homens”. Essas palavras do Papa Bento XV definem de forma simples e direta quem é Padre Pio.

Herdeiro espiritual de São Francisco de Assis, Padre Pio de Pietrelcina foi o primeiro sacerdote a ter impressos sobre o seu corpo os estigmas da crucifixão. Ele é conhecido em todo mundo como o “Frei estigmatizado”.

MADRE TERESA DE CALCUTÁ

“Qualquer ato de amor, por menor que seja, é um trabalho pela paz”.

Mais do que falar e escrever, Madre Teresa de Calcutá viveu este seu pensamento.

Nascida no dia 27 de agosto de 1910 em Skopje, na Albânia, foi batizada um dia depois de nascer. A sua família pertencia à minoria albanesa que vivia no sul da antiga Iugoslávia. Seu verdadeiro nome era Agnes Gonxha Bojaxhiu.

SANTA GEMMA GALGANI

“Quando rezava, Gema era constantemente vista rodeada de uma luz divina. Conversava com anjos e recebia a visita de são Gabriel, de Nossa Senhora das Dores passionista, como ela desejara ser. Logo lhe apareceram no corpo os estigmas de Cristo, que lhe trouxeram terríveis sofrimentos, mas que era tudo o que ela mais desejava”

Ao nascer, em 12 de março de 1878, na pequena Camigliano, perto de Luca, na Itália, Gema recebeu esse nome, que em italiano significa jóia, por ser a primeira menina dos cinco filhos do casal Galgani, que foi abençoado com um total de oito filhos.