Nascido em setembro de 1696, no então Reino de Nápoles, atual Itália, Santo Afonso Maria de Ligório é um dos nomes mais marcantes da Igreja ao longo do século XVIII e um dos grandes teólogos da Igreja e fundador da congregação dos redentoristas.
Ainda na juventude, aos 16 anos, Santo Afonso se tornou advogado, sendo considerado um dos mais brilhantes juristas de sua época, aos 19 anos. Praticou a profissão durante muitos anos, até perder uma grande causa por interferência política, e, após isso, notou a vaidade do mundo, teve uma grande virada de vida e uma forte conversão, abandonou a profissão e decidiu consagrar totalmente sua vida a Deus.
Foi ordenado sacerdote em 1726, aos 30 anos, dedicando-se aos pobres e marginalizados do reino, destacando a simplicidade dos seus sermões, facilmente compreendidos pelas pessoas. Após alguns anos, conhecendo mais profundamente a pobreza que ocorria no reino, decidiu fundar a Congregação do Santíssimo Redentor, com o carisma de atender aos pobres e abandonados, mostrando a misericórdia de Deus por meio de Cristo, Redentor da humanidade. Santo Afonso também compôs hinos e canções populares para auxiliar na evangelização.
Alguns anos mais tarde foi consagrado bispo da diocese de Santa Águeda dos Godos, no sul da Itália, onde governou entre 1762 e 1775. Ocupou-se mais uma vez com os mais pobres, reformou as estruturas da diocese, endireitando o clero e reacendendo o amor de muitos fiéis por Jesus Cristo, principalmente através da confissão e da Eucaristia. Após diversos anos à frente da diocese, pediu a renúncia por conta de suas questões de saúde, entre as quais estavam sua visão, que já era debilitada desde a infância, e o reumatismo que afetou muito sua saúde. Após a renúncia, voltou a uma comunidade redentorista em Pagani, onde faleceu em 1º de agosto de 1787, com 90 anos. Essa tornou-se a data de sua memória litúrgica.
Santo Afonso também foi um dos mais importantes autores de teologia da história da Igreja. Entre suas obras mais reconhecidas estão Teologia moral, Glórias de Maria, A oração e Visitas ao Santíssimo Sacramento, entre muitas outras publicações que iam contra o rigorismo jansenista e o laxismo moral, dois extremos muito propagados naquele tempo. Santo Afonso foi canonizado em 26 de maio de 1839 pelo Papa Gregório XVI e, em 1871, foi proclamado doutor da Igreja por Pio IX, em reconhecimento à contribuição de sua teologia moral para toda a Igreja.
O título de doutor da Igreja é concedido após a análise dos escritos, da qualidade teológica e da importância que têm para a Igreja. Entre os santos que receberam esse título estão nomes bem conhecidos, como Santa Teresinha do Menino Jesus, Santo Antônio de Pádua e São Francisco de Sales. Em agosto, comemoramos muitos outros doutores, como Santa Hildegarda de Bingen, São Bernardo de Claraval e Santo Agostinho.
Por Matheus de Morais