Virtudes de Maria – e como viver cada uma delas

O caminho concreto para estar cada vez mais perto de Nossa Senhora

1.Paciência: Nossa Senhora passou por muitos momentos estressantes de provação, de incômodo e de dor, durante toda sua vida, mas suportou tudo com paciência. Sua tolerância era admirável! Nunca se revoltou contra os acontecimentos, nem mesmo quando viu o próprio filho na Cruz! Sabia que tudo era vontade de Deus e meditava tudo isso em seu coração. Maria, nossa mãe, teve sempre paciência, sabendo aguardar em paz aquilo, que ainda não se tenha obtido, acreditando que iria conseguir, pela espera em Deus.

Imitando essa virtude: Ter paciência é não perder a calma, manter a serenidade e o controlo emocional. Além disso é saber suportar, como Maria, os desabores e contrariedades do dia a dia, saber suportar com paciências nossas próprias cruzes. Devemos saber ouvir as pessoas com calma e atenção, sem pressa, exercitando assim a virtude da caridade. Fazer um esforço para nos calarmos frente aquelas situações mais irritantes e estressantes. Quando houver um momento de impaciência pode-se rezar uma oração, como por exemplo, um Pai-nosso, buscando se acalmar para depois tentar resolver o conflito. Devemos nos propor, firmemente não nos queixarmos da saúde, do calor ou do frio, do abafamento no autocarro lotado, do tempo que levamos sem comer nada… Temos que renunciar, frases típicas, que são ditas pelos impacientes: “Você sempre faz isso!”, “De novo, mulher, já é a terceira vez que você…!”, “Outra vez!”, “Já estou cansado”, “Estou farto disso!”. Fugir da ira, se calando ou rezando nesses momentos. A paciência se opõe à ira! “Não só isso, mas nos gloriamos até das tribulações. Pois sabemos que a tribulação produz a paciência, a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança.”(Rom. 5,3-4) “Eu, porém, vos digo que todo aquele que (sem motivo) se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, esta­rá sujeito ao inferno de fogo.”(Mat 5,22).

2. Oração contínua: Nossa Senhora era silenciosa, estava sempre num espírito perfeito de oração. Tinha a vida mergulhada em Deus, tudo fazia em Sua presença. Mulher de oração e contemplação, sempre centrada em Deus. Buscava a solidão e o retiro pois é na solidão que Deus fala aos corações. “Eu a levarei à solidão e falarei a seu coração (Os 2, 14)” Em sua vida a oração era contínua e perseverante, meditando a Palavra de Deus em seu coração, louvando a Deus no Magnificat, pedindo em Caná, oferecendo as dores tremendas que sentiu na crucificação de Jesus, etc.

Imitando essa virtude: Buscar uma vida interior na presença de Deus, um “espírito” contínuo de oração. Não se limitar somente as orações ao levar, ao se deitar e nas refeições, estender a oração para a vida, no trabalho, nos caminhos, em fim, em todas as situações, buscando a vontade de Deus em sua vidas. “Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”. (Cl 3,17). e “Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a acção de graças. E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus.”(Fil 6,6-7).

3. Obediência: Maria disse seu “sim” a Deus e ao projeto da salvação, livremente, por obediência a vontade suprema de Deus. Um “sim” amoroso, numa obediência perfeita, sem negar nada, sem reservas, sem impor condições. Durante toda a vida Nossa Mãezinha foi sempre fiel ao amor de Deus e em tudo o obedeceu. Ela também respeitava e obedecia as autoridades, pois sabia que toda a autoridade vem de Deus.

Imitando essa virtude: O Catecismo da Igreja Católica indica que a obediência é a livre submissão à palavra escutada, cuja verdade está garantida por Deus, que é a Verdade em si mesma. Esforcemo-nos para obedecer a requisitos ou a proibições. A subordinação da vontade a uma autoridade, o acatamento de uma instrução, o cumprimento de um pedido ou a abstenção de algo que é proibido, nos faz crescer. Rezar pelos superiores. Obedecer sempre a Deus em primeiro lugar e depois aos superiores. Obedecer a Deus é obedecer seus Mandamentos, ser dócil a Sua vontade. Também é ouvir a palavra e a colocar em prática. “Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.” (Luc 1, 38).

4. Mãe do Supremo Amor: Nossa Mãe cheia de graça ama toda a humanidade com a totalidade do seu coração. Cheia de amor, puro e incondicional de mãe, nos ama com todo o seu coração imaculado, com toda energia de sua alma. Nada recusa, nada reclama, em tudo é a humilde serva do Pai. Viveu o amor a Deus, cumprindo perfeitamente o primeiro mandamento. Fez sempre a Vontade Divina e por amor a Deus aceitou também amar incondicionalmente os filhos que recebeu na cruz. Era cheia da virtude da caridade, amou sempre seu próximo, como quando visitou Isabel, sua prima, para a ajudar, ou nas bodas de Caná, preocupada porque não tinham mais vinho.

Imitando essa virtudeTodos os homens são chamados a crescer no amor até à perfeição e inteira doação de si mesmo, conforme o plano de Deus para sua vida. Devemos buscar o verdadeiro amor em Deus, o amor ágape, que nos une a todos como irmãos. Praticar o amor ao próximo, a bondade, benevolência e compaixão. O amor é doação, assim como Maria doou sua vida e como Jesus se doou no cruz para nos salvar, também devemos nos doar ao próximo, por essa razão o amor é a essência do cristianismo e a marca de todo católico. “Por ora subsistem a fé, a esperança e o amor – estes três. Porém, o maior deles é o amor.” (I Cor. 13,13).

5. Mortificação: Maria, mulher forte que assume a dor e o sofrimento unida a Jesus e ao seu plano de salvação. Sabe sofrer por amor, sabe amar sofrendo e oferecendo dores e sacrifícios. Sabe unir-se ao plano redentor, oferecendo a Vítima e oferecendo-se com Ela. Maria empreendeu, e abraçou uma vida cheia de enormes sofrimentos, e os suportou, não só com paciência, mas com alegria sobrenatural. Nada de revolta, nada de queixas, nada de repreensões ou mau humor. Pelo contrário, dedicou-se à meditação para buscar entender o motivo que leva um Deus perfeito a permitir aqueles acontecimentos. Pela meditação, pela submissão, pela humildade, Ela encontrou a verdade.

Imitando essa virtude: Muitas vezes Deus nos envia provações que não compreendemos, portanto devemos seguir o exemplo de Nossa Senhora e meditar os motivos que levam um Deus perfeito a permitir essas provações, aceitá-las e saber oferecer todas as nossas dores a Jesus em expiação dos nossos pecados, pelos pecados de todos e pelas almas, unindo nossos sofrimentos aos sofrimentos de Jesus na Cruz. Não devemos oferecer somente os grandes sofrimentos, devemos oferecer também o jejum, fugir do excesso de conforto e prazeres e, na medida do possível, oferecer alguns sacrifícios a Deus, seja no comer (renunciar de algum alimento que se tenha preferência ou simplesmente esperar alguns instantes para beber água quando se tem sede), nas diversões (televisão principalmente), nos desconfortos que a vida oferece (calor, trabalho, etc.), sabendo suportar os outros, tendo paciência em tudo. É indispensável sorrir quando se está cansado, terminar uma tarefa no horário previsto, ter presente na cabeça problemas ou necessidades daquelas pessoas que nos são caras e não só os próprios. Oferecer os sofrimentos, desconfortos da vida, jejuns e sacrifícios a Deus pela salvação das almas. “Ó vós todos, que passais pelo caminho: olhai e julgai se existe dor igual à dor que me atormenta.” (Lamentações 1,12).

6. Doçura: Nossa Senhora, é a Augusta Rainha dos Anjos, portanto senhora de uma doçura angelical inigualável. Ela é a cheia de graça, pura e imaculada. Ela pode clamar as Legiões Celestes, que estão às ordens, para perseguirem e combaterem os demônios por toda a parte, precipitando-os no abismo. A Mãe de Deus é para todos os homens a doçura. Com Ela e por Ela, não temos temor.

Imitando essa virtudeA doçura é uma coragem sem violência, uma força sem dureza, um amor sem cólera. A doçura é antes de tudo uma paz, a manifestação da paz que vem do Senhor. É o contrário da guerra, da crueldade, da brutalidade, da agressividade, da violência… Mesmo havendo angústia e sofrimento, pode haver doçura. “Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência.” (Col. 3,12).

7. Fé viva: Feliz porque acreditou, aderiu com seu “sim” incondicional aos planos de Deus, sem ver, sem entender, sem perceber. Nossa Senhora gerou para o mundo a salvação porque acreditou nas palavras do anjo, sua fé salvou Adão e toda a sua descendéncia. Por causa desta fé, proclamou-a Isabel bem-aventurada: “E bem-aventurada tu, que creste, porque se cumprirão as coisas que da parte do Senhor te foram ditas” (Lc 1,45). A inabalável fé de Nossa Senhora sofreu imensas provas: – A prova do invisível: Viu Jesus no estábulo de Belém e acreditou que era o Filho de Deus; – A prova do incompreensível: Viu-O nascer no tempo e acreditou que Ele é eterno; – A prova das aparências contrárias: Viu-O finalmente maltratado e crucificado e creu que Ele realmente tinha todo poder. Senhora da fé, viveu intensamente sua adesão aos planos de Deus com humildade e obediência.

Imitando essa virtude: A fé é um dom de Deus e, ao mesmo tempo, uma virtude, devemos pedir a Jesus como fizeram os apóstolos para aumentar a nossa fé. Porém ter fé não é o bastante, é preciso ser coerente e viver de acordo com o que se crê. “Porque assim como sem o espírito o corpo está morto, morta é a fé, sem as obras” Tg (2,26). Ter fé é acreditar que se recebe uma graça muito antes de a possuir e é, acima de tudo, ter uma confiança inabalável em Deus! “Disse o Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar, e ela vos obedecerá.” (Luc 17,6).

8. Pureza Divina: Senhora da castidade, sempre virgem, mãe puríssima, sem apego algum as coisas do mundo, Deus era o primeiro em seu coração, sempre teve o corpo, a alma, os sentidos, o coração, centrados no Senhor. O esplendor da Virgindade da Mãe de Deus, fez dela a criatura mais radiosa que se possa imaginar. O dogma de fé na Virgindade Perpétua na alma e no corpo de Maria Santíssima, envolve a concepção Virginal de Jesus por obra do Espírito Santo, assim como sua maternidade virginal. Para resgatar o mundo, Cristo tomou o corpo isento do pecado original, portanto imaculado, de Maria de Nazaré.

Imitando essa virtude: Esta preciosa virtude leva o homem até o céu, pela semelhança que ela dá com os anjos, e com o próprio Jesus Cristo. Nossa Senhora disse, na aparição de Fátima, que os pecados que mais mandam almas para o inferno, são os pecados contra a pureza. Não que estes sejam os mais graves, e sim os mais frequentes. Praticar a virtude da castidade, buscando a pureza nos pensamentos, palavras e acções! Os olhos são os espelhos da alma. Quem usa seus olhos para explorar o corpo do outro com malícia perde a pureza. Portanto, coloque seus olhos em contemplação, por exemplo na Adoração, e receba a luz que santifica. Quem luta pela castidade deve buscá-la por três meios: o jejum, a fugida das ocasiões de pecado e a oração. “Celebremos, pois, a festa, não com o fermento velho nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os pães não fermentados de pureza e de verdade” (I Cor.5,8).

(via Veritatis)

O Protagonismo de Maria na Igreja

Nas Catacumbas Priscila, local onde se enterravam os cristãos, em Roma, entre os séculos II e IV, temos o registro da primeira imagem da Santa Virgem Maria. Hoje essa ilustração rudimentar feita sob o reboco do local onde se encontra um museu arqueológico, pode ser vista a poucos cliques ou a poucos deslizares de dedos de nosso smartphone.

É bem diferente das imagens atuais que retratam a Virgem em nossos templos e casas. Entretanto, essa antiga arte cristã apresenta o que é central na fé cristã: o mistério da Encarnação do Filho de Deus nascido da Virgem Maria por obra do Espírito Santo.

Maria, que é a figura mais pura da Igreja, assim nos ensina o Catecismo da Igreja Católica (CIC, capítulo 967), amamenta o Menino Deus. À esquerda, o profeta Balaão apontando para a estrela a proclamar que “um astro de Jacó se torna chefe (Nm 24, 17)”.

A Mulher já anunciada no Antigo Testamento é apresentada pelos evangelistas: a Virgem Maria de Nazaré. Ela “que na anunciação do Anjo recebeu o Verbo no coração e no seio e deu ao mundo a Vida, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus Redentor”. Assim explica o Papa Paulo VI, na Constituição Dogmática Lumen Gentium, que busca trazer-nos compreensão sobre o amor filial a Nossa Mãe através de sua veneração e a importância de imitar suas virtudes. Pois ela é modelo perfeito a ser seguido para a alcançarmos a santificação.

Aquela que traz ao mundo e nos dá um Salvador foi a primeira a dizer “Sim” para Deus. E, resgatando mais dos ensinamentos de Paulo VI, ela fez isto não de forma meramente passiva, mas sim cooperando livremente “pela sua fé e obediência na salvação dos homens”.

Tornou-se Mãe de Jesus Cristo, unindo-se a Ele por um “vínculo estreito e indissolúvel”. E no início da vida pública de Cristo, movida de compaixão, levou-O a dar início a seus milagres nas bodas de Caná. Mas “a função maternal de Maria em relação aos homens de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; manifesta, antes, a sua eficácia”.

É a primeira cristã, aquela que além de mostrar o caminho da santidade, acompanha-nos. A advogada, socorro, auxiliadora, medianeira. É venerada pela Igreja com culto especial. E a veneração popular iniciou-se, principalmente, após orientações vindas dos bispos reunidos no Concílio de Éfeso, no ano de 431, recorda Paulo VI, nesse mesmo documento.

Papa Francisco, em sua primeira entrevista como Pontífice, assim a menciona: “(…) se quiser saber quem é, pergunta-se aos teólogos; se se quiser saber como amá-la, é necessário perguntá-lo ao povo… Maria amou Jesus com coração de povo”.

Mas infelizmente tal veneração é, muitas vezes, considerada desmerecedora por parte de nossos irmãos de outras denominações religiosas. Muitos ainda não enxergam o protagonismo da Santa Virgem na história, mesmo após o término de sua vida terrena, ao ser elevada ao céu em corpo e alma.

Em artigo publicado no portal A12.com, o teólogo, mariólogo e membro da Associação da Academia Marial, Alessandro Barbosa, descreve que a fé na presença de Maria “suscita coragem para lutar por dias melhores”. E continua: o protagonismo de Maria na história “é capaz de mobilizar o povo para junto de si e, por conseguinte, para junto de Jesus e Sua justiça”.

Barbosa conclui: “Seu exemplo de discípula fiel permanece de pé junto às cruzes dos que sofrem os assassinatos sociais do nosso tempo e, assim, nos encoraja a também encarar os desafios com a confiança de quem não está só”.

Os diversos títulos de Nossa Senhora

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Maria, Mãe de Deus, é reverenciada de diversas formas. Ao longo do tempo, diversas denominações foram conferidas à Virgem Santíssima. Os títulos atribuídos a Ela são designados através da devoção popular, da história ou ainda das festas Litúrgicas em que a Igreja celebra Aquela que foi escolhida por Deus, desde sempre, para trazer ao mundo o Salvador.

Maria, pela qual passam todas as petições, é o canal que une o céu à terra.

Suas aparições lhe conferem os nomes dos lugares onde, pela graça de Deus, Ela se manifestou. Seu socorro lhe suscita títulos de poder, de excelência, de bondade.

A Igreja celebra Maria, a Mãe de Deus (Teotókos), na Anunciação, na Natividade, na Apresentação, a Imaculada, enfim, Maria é única e reúne todas as virtudes que só Deus poderia conferir a uma única pessoa.

A celebração de um ano mariano nos traz mais para perto da Mãe de Jesus e nos faz querer conhecer mais e melhor essa que é a Mãe da Misericórdia, que com seu “sim” abraça os planos de Deus e vive uma vida de amor a Jesus e aos filhos que lhe foram confiados.

As primeiras imagens de Nossa Senhora, segundo a Tradição, remontam aos primeiros séculos. A mais antiga é um afresco do início do século II e se encontra na catacumba de Priscila, em Roma.

Na Ladainha de Nossa Senhora encontramos os mais belos títulos com que a Igreja honra a Santíssima Virgem: Santa Mãe de Deus, Mãe de Cristo, Mãe Imaculada, Virgem Fiel, Causa da nossa Alegria, Rosa Mística, Estrela da Manhã, Refúgio dos Pecadores, Rainha dos Apóstolos, Rainha da Paz.

Venerada por suas aparições e socorro às necessidades de seus filhos, Maria recebe denominações como: Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora da Cabeça, Nossa Senhora da Piedade, Nossa Senhora das Graças, Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora da Ajuda e tantos outros títulos que nos levam a constatar a grandeza de Maria junto à Santíssima Trindade.

É a mesma Maria, Aquela que, em um gesto de amor, doou a vida em favor de todos com um único “sim”. A mesma que socorre, adverte, acolhe e ensina através de suas virtudes a caminhar com Jesus e a fazer tudo aquilo que Ele nos disser

Ano Jubilar Mariano no Brasil

 

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Imagem da Padroeira do Brasil nos Jardins do Vaticano

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil instituiu, no dia 12 de outubro, um Ano Jubilar Mariano. O acontecimento, que teve início com a inauguração do novo Campanário do Santuário Nacional, em Aparecida, se deve à comemoração dos 300 anos desde que a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada nas águas do rio Paraíba do Sul.

Dom Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, afirmou que esse será um tempo de graça e convidou toda a população a se voltar para Nossa Senhora: “É um ano para celebrar, para comemorar, para louvar a Deus, mas também para reaprender com Nossa Senhora como seguir Jesus Cristo, como ser cristão hoje”.

O arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno, falou da importância desse acontecimento, “que não é somente histórico; a devoção a Nossa Senhora Aparecida faz parte da história do Brasil, mas também de fé”. E enfatizou que “Maria sempre foi uma porta aberta ao conhecimento de Jesus; é o modelo de seguimento de Cristo, dos valores humanos que marcam a identidade religiosa do povo”.

O Ano Nacional Mariano é a oportunidade de um conhecimento maior sobre quem é Nossa Senhora e a sua importância para a construção de uma vida de fé. As virtudes de Maria levam à reflexão de como devemos ser parecidos com Ela, para que sejamos mais parecidos com Jesus.

Nas Bodas de Caná, Nossa Senhora intervém em favor dos noivos. É assim até hoje: Maria é aquela que observa quando o vinho está no fim e, com docilidade, leva o fato ao conhecimento de Seu Filho. Refletir sobre Maria e com Maria nos aproxima mais de Deus. Foi através Dela que Jesus veio ao mundo para a Sua missão. Isso faz de Maria Santíssima partícipe do plano de Salvação de Deus. O ano, que terá seu encerramento no dia 11 de outubro de 2017, será um tempo de verdadeira conversão ao amor da Mãe do Senhor Jesus.

Esse tempo certamente fará crescer ainda mais o fervor dessa devoção e a alegria em fazer tudo o que Ele disser (cf. Jo 2,5).

 

Foi Inaugurada no dia 3 de setembro, nos  Jardins do Vaticano, uma imagem da Padroeira do Brasil.   Uma barca onde estão as figuras de três pescadores e, saindo dessa barca, uma rede feita de peixes. Sobre a rede, está a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Um pouco, simbolicamente, o que foi a aparição de Nossa Senhora, cuja imagem foi recolhida pelos pescadores do fundo do Rio Paraíba.

Nossa Paróquia também comemora seu jubileu. Há 50 anos atrás nascia a comunidade de Nossa Senhora de Fátima-RTS, em Todos os Santos.

Este ano, paralelo às comemorações do  centenário das aparições em Fátima e as festividades dos 300 anos  do encontro da  imagem de  Nossa Senhora  em Aparecida, celebraremos o ano Jubilar homenageando a  Mãe de Deus  com todas as honras que lhes são devida.

Nossa Senhora do Milagre

VOCÊ  CONHECE A HISTÓRIA DE ‘NOSSA SENHORA DO MILAGRE’?

2017 é, certamente, o “Ano de Maria”. Celebramos os trezentos anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do rio Paraíba; celebramos também o centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima. Mas, além disso, celebramos os 175 anos da aparição de ‘Nossa Senhora do Milagre’ a Alfonso Ratisbone, em Roma. Essa aparição, não muito conhecida no Brasil, marca o início de uma obra profética na igreja: a congregação dos padres e das irmãs de Nossa Senhora de Sion. Segundo Teodoro Ratisbone, irmão de Alfonso e um dos fundadores da obra, “os diversos sentimentos de Cristo continuam vivos na sua Igreja. À congregação de Sion foi confiado pelo Senhor um sentimento muito particular de seu coração: o entranhado amor pelo seu povo de Israel”. De fato, a Igreja tem redescoberto o insubstituível lugar do povo hebreu nos planos de Deus para a humanidade; e muito dessa redescoberta se deve às orações e trabalhos desses valorosos padres e irmãs.

20160911_074255Mas, como tudo começou? Alfonso Ratisbone nasceu em 1814, em Estrasburgo (França), de uma abastada família judaica de banqueiros. Aos 14 anos, como tantos jovens dessa idade, Alfonso não tinha mais prática religiosa e declarava-se ateu, apesar de manter um comportamento exemplar e, esporadicamente, agradecer a Deus por seus benefícios. Seu irmão, Teodoro, dez anos mais velho, não apenas converteu-se ao cristianismo, como foi ordenado sacerdote, o que fez com que Alfonso se tornasse especialmente avesso ao catolicismo.

Tendo completado vinte e cinco anos, tornou-se noivo. Antes de casar-se, desejou empreender uma viagem ao oriente, passando pela Itália. Depois de visitar Nápoles e fazer planos de prosseguir para Malta, acabou por dirigir-se a Roma. Nessa cidade, reviu um antigo amigo, o barão de Busières, cujo irmão (também chamado Teodoro) havia a pouco se convertido ao catolicismo. Por uma série de casualidades, Alfonso acaba por se aproximar de Teodoro e conhecer um pouco de sua ardente fé católica.

Com esse novo amigo, muitas foram as conversas acaloradas sobre religião. Percebendo que o coração de Alfonso achava-se humanamente impermeável a qualquer argumento sobre Cristo ou a Igreja, Teodoro lançou lhe um desafio: se ele não era um obstinado anti-religioso, não se importaria de receber e usar um presente ofertado de bom coração. Foi então que lhe colocou sobre o pescoço um cordão com a Medalha Milagrosa e fez-lhe copiar a oração chamada “Lembrai-vos”. Para não dar razão ao amigo, Alfonso tudo aceitou, incluindo o Novo Testamento que também foi colocado em suas mãos, sem dar maior importância a tudo aquilo.

Segundo seu próprio testemunho, as palavras do “Lembrai-vos” gravaram-se no coração como uma cantiga. No dia 20 de janeiro de 1842, Alfonso encontrou-se casualmente com Teodoro, que o convidou para um passeio juntos. No caminho, era preciso tomar algumas providências para o sepultamento de um amigo, o que fez Teodoro entrar no convento anexo à igreja de S. Andrea delle Fratte, onde Alfonso permaneceu esperando.

De repente, como ele próprio testemunhou depois, Alfonso teve a impressão de que tudo ao seu redor havia desaparecido. Apenas uma única capela do lado esquerdo da igreja, dedicada a São Miguel, parecia grandemente iluminada. Num passo, ele se encontrou diante da capela e contemplou, em meio àquela luz, a Virgem Santíssima, tal como se apresenta na Medalha Milagrosa. Ajoelhando-se em prantos, tentou ainda três vezes levantar os olhos para contemplar o rosto da Virgem, mas não conseguiu olhar acima de suas mãos, de onde se espalhava uma torrente de luz que o impelia a baixar a vista.

Nossa Senhora não lhe disse nenhuma palavra. Apenas fez o gesto que o levou a aproximar-se e ajoelhar. Contudo, Alfonso testemunhou que, como Paulo na estrada de Damasco, prostrou-se ali cego e, ao sair, via claramente, como se uma venda tivesse sido tirada de seus olhos. De repente, todos os mistérios da fé cristã ficaram patentes ao seu coração, de tal maneira que o amor a Maria e a fé em Cristo foram despertados imediatamente dentro dele. “Ela não me disse nada, mas eu compreendi tudo”.

Ao retornar para a igreja, Teodoro de Busières encontrou o amigo em prantos. Não querendo revelar seu segredo senão a um padre, Alfonso foi levado a um sacerdote, a quem contou sua experiência. Dez dias depois, foi batizado e crismado na igreja de Jesus, dos padres jesuítas, recebendo o nome de Alfonso Maria. Retornando para a França, ele próprio se fez jesuíta e foi ordenado sacerdote em 1847.

Com a permissão do papa, os irmãos Alfonso e Teodoro fundaram a congregação dos padres de Sion. Em 1855, Alfonso mudou-se para a Terra Santa, onde abriu orfanatos e comprou as ruínas do palácio de Pilatos, dando início ao santuário do “Ecce Homo” (“Eis o homem!”). Ele permaneceu trinta anos na Palestina, vindo a falecer em 1884.

A capela da aparição foi posteriormente dedicada à Imaculada Conceição. Um belo quadro de Nossa Senhora foi colocado no altar, no lugar onde Alfonso Ratisbone viu a Santíssima Virgem. O povo de Roma, sabendo da origem daquela devoção, começou a invocar Maria naquela capela como “Nossa Senhora do Milagre”. O papa Bento XV chamou a igreja de S. Andrea delle Fratte de “a Lourdes romana”. Nessa capela, no dia 29 de abril de 1918, São Maximiliano Kolbe, então estudante em Roma, celebrou sua primeira Missa.

Celebrando nesse ano mais um jubileu da aparição de Nossa Senhora a Alfonso Ratisbone, peçamos a Maria Santíssima, a mais bela filha de Sião, que vele pelo seu povo de Israel. Que as vendas sejam tiradas de muitos corações, e todos reconheçam que Jesus é o Messias. Que os cristãos sejam capazes de olhar com amor especial os irmãos judeus, reconhecendo seu lugar insubstituível no coração de Deus. Nossa Senhora do Milagre, Nossa Senhora de Sion, rogai por nós!

As aparições de Nossa Senhora em Fátima

1916-1917 – Em meio ao horror da Primeira Guerra Mundial, na qual os países europeus se dilaceravam e a Revolução Bolchevista, na Rússia, impunha o ateísmo a outras nações, em Fátima, Portugal, o Anjo da Paz e Nossa Senhora traziam, através de três pastorinhos, uma mensagem de paz e esperança.