O encontro com Cristo libertou duas pessoas completamente diferentes. Enquanto um nutria a amargura de ter abandonado, por medo, seu melhor amigo, o outro perseguia cegamente aqueles que não pensavam da mesma maneira que ele. Eram trajetórias acorrentadas pelo peso do pecado, da exterioridade e da resignação, mas que, pela ação do Espírito, encontraram na comunhão a unidade, como duas colunas de um mesmo edifício.
Acontece que, não pela própria destreza, mas pelo encontro com Jesus, Pedro e Paulo fizeram a experiência de um amor que os curou e libertou. E, uma vez livres, tornaram-se apóstolos e ministros de libertação para os outros.
Pedro, o pescador da Galileia, foi libertado, em primeiro lugar, da sensação de ser inadequado e, depois, da amargura de ter falhado. Embora fosse um pescador habilidoso, várias vezes experimentou o sabor amargo da derrota por não ter pescado nada (Lc 5,5; Jo 21,5) e, com as redes vazias, sentiu a tentação do desânimo. Ainda que fosse um discípulo apaixonado pelo Senhor, continuou a pensar à maneira do mundo, sem conseguir entender o significado da cruz de Cristo (Mt 16,22). Mesmo dizendo-se pronto para dar a vida por Ele, negou-o três vezes (Mc 14,66-72).
Também o apóstolo Paulo deslizava na hipocrisia da exterioridade: tinha um zelo religioso que o tornara fanático na defesa das tradições recebidas (Gl 1,14), a ponto de perseguir os cristãos. Esse modo de vida havia endurecido seu coração, impedindo-o de perceber a ação de Deus em nossas vidas.
No entanto, Jesus não os julgou nem os humilhou, mas partilhou de perto a vida deles, sustentando-os com a sua própria oração e, por vezes, aconselhando-lhes caminhos de conversão. A Pedro, disse com ternura: “Eu roguei por ti, para que a tua fé não desapareça” (Lc 22,32). A Paulo, perguntou: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (At 9,4). Jesus também faz isso conosco: assegura-nos sua proximidade e nos corrige com doçura quando erramos, para podermos encontrar a força para nos levantar e retomar o caminho. O encontro com o Pai nos liberta.
Com confiança em Cristo, façamos-nos algumas perguntas: quantas correntes devem ser quebradas e quantas portas trancadas devem ser abertas? Quanta necessidade de libertação existe em nossas cidades e em nosso mundo? Podemos, assim como Pedro e Paulo, ser colaboradores desta libertação, mas somente se, primeiro, nos deixarmos libertar pela novidade de Jesus e caminharmos na liberdade do Espírito Santo.
Redação: Nuno Melo
Revisão: Rochelle Lassarot